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Guia da vida Saudável
Incontinência urinária (IU) representa perda involuntária de urina tornando-se problema higiênico e social indesejável para os pacientes e familiares. A sua incidência em pacientes geriátricos não internados é em torno de 15 a 35%, aumentando para 53% em pacientes internados em hospitais ou em casas de repouso. Essa incidência aumenta com a idade, sendo maior em mulheres na proporção de 6 : 1 (AHCPR, 96), afetando a sua saúde física e mental em função do odor desagradável, assaduras e infecções urinárias causando frustração e depressão que conduzem à sua marginalização.

Vários fatores se relacionam e se associam à idade afetando diretamente a continência. A exemplo de todos os sistemas biológicos, porém a idade isoladamente não causa incontinência urinária.

FATORES RELACIONADOS À IDADE:

- hipoestrogenismo
- aumento prostático
- instabilidade detrusora
- função imunológica alterada
- alteração na neurológicas

FATORES ASSOCIADOS À IDADE:

- distúrbios que levam à diminuição da mobilidade:
- doenças do Sistema Nervoso Central como Parkinson
- diabetes mellitus
- insuficiência cardíaca congestiva
- insuficiência venosa
- doenças pulmonares crônica (exacerba perdas aos esforços)
- medicações : anticolinérgicos, diuréticos, psicotrópicos, etc.

A incontinência urinária pode ser classificada clinicamente em dois tipos: transitório e persistente.

A forma transitória geralmente se associa a fatores potencialmente reversíveis : delírios, demência, problemas de mobilidade e acesso ao banheiro, retenção urinária, processos inflamatórios do trato urinário inferior (vaginites, uretrites), fecalomas, condições que aumentam a freqüência urinária como diabetes descompensada e estado de sobrecarga (insuficiência cardíaca congestiva e insuficiência venosa). Essas condições contribuem para o aumento da produção noturna de urina.

A forma persistente de IU pode ser classificada em: incontinência de esforço, por urgência, paradoxal e a funcional. A incontinência urinária de esforço é geralmente causada por alterações da mobilidade e fraqueza das estruturas da bexiga e em alguns casos por problemas intrínsecos do esfíncter. A urgeincontinência é a forma mais comum de IU nos pacientes com idade maior que 75 anos, caracterizado por urgência miccional nem sempre associada a hiperatividade do detrusor aos testes de urodinâmica. Essa condição de irritabilidade do trato urinário inferior é secundária a algum disturbio do SNC que perde a capacidade de inibição das contrações vesicais. A IU paradoxal ocorre em menos de 10% dos pacientes, mas é importante o seu reconhecimento pois leva a lesões graves no trato urinário alto. A IU funcional deve ser diagnóstico de exclusão. Representa perdas devidas a fatores externos como a incapacidade chegar ao vaso sanitário devido a baixa função cognitiva ou imobilidade. Muitos pacientes apresentam associação de vários tipos de incontinência.

O planejamento terapêutico adequado da incontinência urinária depende principalmente de identificar os pacientes que apresentam os fatores potencialmente reversíveis que causam ou contribuem para IU daqueles que necessitam de avaliação urológica e/ou ginecológica mais detalhada. Histórico adequado, exame físico, urina tipo I e cultura além da medida do resíduo pos miccional são suficientes para diferenciar esses pacientes e não faz parte da avaliação básica os testes especializados, incluindo o estudo urodinâmico.

Após avaliação inicial, deve ser introduzido tratamento para o tipo presumido de IU a menos que haja alguns dos critérios que justifique investigação mais profunda: procedimento cirúrgico genitourinário recente, infecções urinárias de repetição sintomáticos, presença de anormalidade no exame físico (prolapso vaginal ou nódulo prostático), retenção urinária ou resíduo pos miccional maior que 200 ml, dificuldade em passar o cateter, hematuria estéril e falha na terapêutica inicial.

OPÇÕES TERAPÊUTICAS DISPONÍVEIS

INCONT. URINÁRIA AOS ESFORÇOS: Exercícios da musculatura pélvica, biofeedback, micções de horário, estrógenos (oral ou tópicos) e agonistas alfa adrenérgicos.
URGEINCONTINENCIA: Anticolinérgicos.
INCONTINENCIAS PARADOXAIS: Desobstrução cirúrgica, cat. Intermitente
INCONTINÊNCIA FUNCIONAL: Micções de horário com auxílio.

As fraldas, absorventes ou preservativos são muito úteis para todos os tipos, mas não devem ser utilizadas como primeira escolha. A sondagem vesical permanente deve ser reservado a pacientes com sérios problemas de dermatite amoniacal, com retenção urinárias irreversíveis (sem condições cirúrgicas) ou para melhor conforto dos pacientes com impedimentos importantes que não podem ser tratados de outra forma.

A IU na população geriátrica não é causado apenas pela idade e nem é intratável, apesar de muitos aspectos ainda necessitarem de estudos e pesquisas. Porém com os conhecimentos disponíveis pode-se atualmente identificar, tratar ou contornar os problemas adequadamente e oferecendo opções terapêuticas que curam ou melhoram muitos, apesar da idade e fragilidade dos pacientes geriátricos.

BIBLIOGRAFIA

1. Ouslander, J.G., MD. Geriatric Urinary Incontinence. Disease a Month, february, 1992: 67 - 139.

2. Starer, P., M.D. Evaluation and Management of Urinary Incontinence in Older Patients. The Mount Sinai Journal of Medicine 60(6): 502 - 514, 1993.

3. Wein, A.J.: Urodynamics and Incontinence - Take Home Messages - Orlando 1996 AUA meeting. May 1996.

Dr. Paulo K. Sakuramoto
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