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Pode parecer estranho o título, afinal de contas, o que uma coisa tem a ver com a outra?
Com base em dados da Organização Mundial de Saúde, a estatística atualizada da epidemia de AIDS mostra 38 milhões de pessoas infectadas pelo HIV, com 2,8 milhões de mortes anualmente.
Existe outra doença, que atinge mundialmente cerca de 1,3 bilhão de indivíduos, matando praticamente o dobro de pessoas ao ano (cinco milhões, ou seja, uma pessoa a cada dez segundos), e crescendo cada vez mais. E, como a AIDS, não é fácil de ser enfrentada.
Esta doença nada mais é do que o tabagismo. O cigarro mata, nos países desenvolvidos, mais que a soma de outras causas evitáveis de morte, tais como a cocaína, heroína, álcool, incêndios, suicídios e AIDS. Cabe salientar que nos países pobres a fome e a desnutrição formam o binômio responsável pela principal causa de morte também evitável.
O tabagismo é vilão de grandes prejuízos às pessoas e à sociedade, as quais sofrem vendo um familiar morrendo lentamente "afogado fora da água" (asfixiado pelo enfisema pulmonar, também conhecido como doença pulmonar obstrutiva crônica), sentindo falta de ar para andar, tomar banho, praticar uma relação sexual; ou paralisado em uma cama por um acidente vascular cerebral ("derrame cerebral"), com várias escaras (feridas) pelo corpo; ou com câncer de cordas vocais, que muitas vezes ao ser extirpado perpetua o paciente a respirar por um traqueostoma ("buraco na garganta"); ou ainda vítima de um infarto do miocárdio seguido de incapacidade ou morte. Salienta-se também que o tabagismo é responsável pelo câncer de pulmão, este o câncer que mais mata pessoas no mundo.
Há também de ser considerado o prejuízo econômico, pois alguém terá que trabalhar por esta pessoa antes produtiva e agora inválida, e os sistemas de saúde terão que pagar as contas hospitalares e os medicamentos de uso contínuo das vítimas do tabagismo.
A batalha médica a ser travada é mudar a percepção da sociedade, mostrando continuamente à mesma a realidade dos fatos. Os cigarros deveriam ter seu preço aumentado, dificultando a aquisição, e, ao mesmo tempo, as medicações disponíveis para o tratamento de interrupção do tabagismo, tornarem-se mais baratas (porque não com a verba obtida com arrecadação extra de impostos pelo aumento do preço dos cigarros?).
A propaganda deve ser completamente proibida. Vejam os termos utilizados: morte e batalha. Violentos, não? Mas frente a um grande vilão que te mata, ou ao teu familiar, e que rouba seu dinheiro e sua alegria, você não parte para uma briga de vida ou morte com o mesmo? Com certeza eu sei a sua resposta, e você colocará a mesma em prática.
Grande abraço, sucesso na nossa luta.
Roberto Rodrigues Junior
Médico Pneumologista Responsável pelo Serviço de Testes de Função Pulmonar - Laboratórios Delboni-Auriemo e Lavoisier.
Professor de Pneumologia da Faculdade de Medicina do ABC. |
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